terça-feira, 10 de maio de 2011

gatinho de pelúcia

ela deitou na sua cama e abraçou seu gatinho de pelúcia e se sentiu só. mais uma noite daquelas...
ela não estava sozinha, apenas não estava com quem gostaria de estar e isso se tornara uma constante em sua nova vida longe daquilo que ela almejava tanto.
rolava na cama de um lado para o outro, não encontrava uma posição confortável para dormir e talvez ter bons sonhos. o frio a fazia apertar cada vez mais o gatinho de pelúcia que para ela era a única ligação com aquilo que estava em sua mente.
seus olhinhos se apertaram e uma lágrima caiu em cima do gatinho de pelúcia que ficou com uma manchinha de bolinha em cima de uma de suas orelhinhas. ela estava triste.
um filme de sua vida começou a passar pelo seu pensamento e ela se lembrou de coisas que a faziam sentir saudade e tristeza, pois ela lembrou de que aquelas coisas tinham acabado.
mais uma lágrima caiu, mas agora foi na testa do gatinho.
ela tremeu de frio e se enfiou mais ainda debaixo do cobertor e tentou chorar bem baixinho pra não acordar a sua amiga que estava dormindo na cama de cima.
- 'que raiva!' - ela sussurrou ao perceber que havia se entregado aos sentimentos que ela tanto ignorava..

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Intrínseco

Eu preciso de carne, ossos, suor, pele entre meus dedos. Preciso sentir dor, ódio, carinho, medo, saudades, ou qualquer coisa que me faça acreditar que eu ainda posso sentir alguma coisa.
Não me importo de estar com pessoas diferentes, só espero que elas me façam esquecer que um dia eu já pertenci a outro corpo.
Carne. Tudo se bazeia na carnificina, podendo ser apenas como uma representação do dilaceramento que pratico todas as vezes que procuro sentir com outros corpos o que eu não sinto mais.
Estou com outros e ainda sim me sinto sozinha e dentro de mim existe apenas um vazio que parece nunca ser preenchido, e por mais que eu tente, o vazio só aumenta.
Se isso é estar vivendo a minha vida, então para mim é como estar acabando com ela, e eu realmente não me importo.
Estou me dilacerando pouco a pouco e essa é a única coisa que me faz sentir viva.