sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Reflexões banais

Mais um momento desconcertante e eu me preparo para acender o próximo cigarro.
É como se todos os meus pensamentos saíssem com apenas um sopro. Um sopro cheio de dúvidas e melancolia, um sopro desepejando você de dentro de mim.
Um maço não seria o suficiente.
Ando pela rua procurando entender tudo o que aconteceu e acontece, freneticamente, sem descanso. Coisas que acontecem sem nem ao menos nos dar tempo para podermos nos proteger. É tudo tão ruim, tão maldoso.
A vida é dura, a vida é rude. O amor é pior ainda.
Ás vezes é como se o amor fosse opcional, como se a gente pudesse escolher a hora de começar a senti-lo e a hora de parar de sofrer por ele. Eu sinto que é opcional e eu tento acreditar.
Talvez esteja funcionando...
Tlavez eu esteja mentindo pra mim mesma.
O ruim de amadurecer um sentimento, é você perceber, no final das contas, que não precisa dele e que ele não é importante e não vai fazer falta.
É apenas algo que idealizamos para nós mesmos.
É apenas algo...
Apenas..
E aí a gente cai na real.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Carlos Drummond e o que eu sinto

Quero
Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

domingo, 24 de outubro de 2010

volta

volta.
não é mais você.
é outra pessoa.
quem é?
eu já não sei.
hoje consigo confundir o seu jeito.
hoje eu consigo te misturar na multidão.
volta.
sei que você está guardado em algum lugar.
sei que você pode voltar a qualquer momento.
eu fico esperando feito uma criança na porta de casa esperando sua mãe voltar de uma longa viagem.
você viajou e deve voltar.
você vai voltar?
volta.
eu já não sei se posso me segurar por muito tempo.
não posso me manter assim eternamente.
por que você teve que ir?
volta.

sábado, 23 de outubro de 2010

Selfish

Você..
você apareceu e desapareceu tantas e tantas vezes e o que eu mais queria era te ter em uma constante. Eu nunca gostei daquilo que fosse muito diferente do que eu costumava sentir, mas você veio e me fez sentir todas as coisas diferentes que eu poderia sentir e eu não odiei isso.
E eu não consigo mais pensar racionalmente. Você chegou e mudou completamente as coisas em que eu costumava acreditar e hoje eu já não acredito em mais nada além de você.
Eu luto para não acreditar.
E se eu pudesse, eu mudaria tudo, desde o começo e talvez, o final seria um pouco menos doloroso.
A quem eu estou enganando? O final sem você seria doloroso de qualquer jeito.
E o que a gente faz quando encontra o amor da nossa vida tão cedo?
Todos querem amar, mas ninguém nunca pensou nisso. Ou talvez seja egoísta da nossa parte querer viver uma vida inteira pra depois dar vida ao amor.
Temos que ter cuidado quando conseguimos algo tão grandioso e ignoramos achando que isso continuará queimando até que estejamos pronto pra vivê-lo.
É, somos tão egoístas.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Esse dia

Era para ser um dia especial, como os que passaram nesse mesmo dia.
Posso dizer que foi um dia anestesiado, sem muitas demonstrações de sentimentos.
O que foi que aconteceu com a gente?
Sinceramente?
Eu não saberia como responder.
Sinto que nesses dias eu só consigo pensar em assuntos do meu futuro sempre incerto. Tão incerto que nem sei se terei você nele.
Antigamente eu sabia.
Antigamente.
As coisas acontecem tão rápido que eu nem percebo que elas aconteceram e talvez por isso, eu esteja sentindo tanta dor.
É... eu ainda tenho aquele desejo louco de ser como você, mas talvez, se eu fosse como você as coisas não estariam tão diferentes, ou não.
Esse dia...
Nesse dia, meu único desejo seria viver algo real, como sei que não vai acontecer, eu guardo tudo isso que eu sinto em um lugar inóspito, dentro de mim, e espero poder revê lo quando realmente valer a pena senti lo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

memórias.

É, ela estava lá.
Linda, cabelos presos e alguns fios desenhando o seu colo tão suavemente..
Ela estava linda.
Um vestido azul e aqueles coturnos que só ela tinha..
Ela era a unica.
Não quis passar nenhuma maquiagem e mesmo assim tinha os seus lábios mais vermelhos do que os de qualquer garota que estivesse lá.
É.. ela estava lá..
Ela era a unica que brilhava no meio daquela multidão de adolescentes desocupados esperando a próxima taça de champagne pra ficarem bêbados pela primeira vez na vida e talvez, esquecerem de que eles eram uns idiotas.
Ela não era idiota. Pelo menos naquela época.
Eu lembro do brilho nos olhos dela por estar saindo daquela fase maldita em que todo o adolescente passa. A escola sempre foi um pesadelo pra ela e eu até entendo. Pessoas fúteis que se preocupavam em fazer a social ao invés de fazerem valer a pena o dinheiro dos pais e tirarem notas boas.
Ninguém fazia isso. Ela fazia, sem esforço algum.
Era incrível tentar desvendar os pensamentos dela. Não sei, parecia um passatempo e esse passatempo me prendia, me instigava, me fazia sentir coisas que eu nunca havia sentido com ninguém.
Esquisito pensar que um dia ela me fez sentir desse jeito.
Ah, o começo da história... é.
Ela realmente se destacava e tirava a beleza das garotas que passaram o dia inteiro no cabeleireiro fazendo cabelo e maquiagem, pra parecerem um bando de vadias em seus vestidos vermelhos e curtos.
Ela parecia um anjo. Um anjo que tinha as asas mais lindas e as mais potentes e que poderia voar a qualquer momento, e quem sabe, até me levar com ela.
Ela me levava com ela. Sempre.
Eu lembro daquele dia com uma dorzinha aguda em algum lugar dentro de mim. Pensar que depois daquilo ela se perderia no grupo das garotas que apesar de não terem sido as vadias, foram as que beberam todo o champagne e caíram na frente de todo mundo, dando risadas altas e xingando todas as pessoas daquele lugar.
Foi um período intenso na vida dela, tenho certeza. Coisas novas, vidas novas passando pelos olhos da menina que antes era quem passava pelos olhos das outras pessoas.
Ela não passa mais pelos meus olhos porque ela não brilha como antes.
Ela era um ajo.
Ela usou as asas dela.
Usou para voar bem longe de mim.
O anjo se perdeu no mundo.
O anjo perderá as suas asas.
Pobre anjo.


sábado, 9 de outubro de 2010

Para te amar

Eu vou cuspir as várias mentiras que você me fez engolir e eu vou te cortar com todas as verdades que eu tenho parta dizer.
Eu quero te gritar todas as palavras que podem te machucar e quero te derrubar com apenas um olhar meu.
Eu vou despedaçar cada parte do seu coração e vou espalhar pelas ruas onde passamos.
Vou te afogar com todas as lágrimas que eu chorar e eu vou te machucar com cada soluço meu.
Quero que você sinta a mesma dor que eu sinto
E quero que seja pior por todas as vezes que você me ignorou
Depois de tudo isso
Quero te abraçar
Juntar seus pedaços, curar seus machucados
E assim, te sentir mais perto de mim
Te amar do jeito que eu nunca amei
E te devorar, da cabeça aos pés