Eu enxerguei marrom. De primeira foi isso, foi apenas o marrom. Eu não estava afim de enxergar, eu não queria enxergar nada na verdade, eu queria só deixar pra trás, mas eu não consegui, eu sabia que não conseguiria, estava muito óbvio que eu não conseguiria ignorar ou fingir que eu estava enxergando, porque no fundo, eu estava e queria também.
Tristeza, foi instantâneo, parecia que ela queria desabafar comigo, falar do motivo por ela ser a tristeza e depois eu enxerguei inocência, parecia que ela pedia pra eu cuidar dela, era uma inocência perturbadora. Diante de tantos outros sentimentos, eu encontrei o amor, eu encontrei ele, eu achei que não encontraria, eu quase tive certeza de que ele não existia lá dentro, mas ele existia, era fraco, era pequeno, indefeso, mas ainda sim era amor e ele falou comigo ele até saiu de dentro de lá, em uma forma líquida, quase como uma gotinha mínima. Ele queria me sentir de perto, ele conseguiu.
Eu tentei mais uma vez não enxergar aquilo tudo, eu tinha medo, eu tenho medo, eu não queria me perder dentro daquele 'marrom de sentimentos' que estava diante dos meus olhos, eu não queria ficar lá, mas eu queria, eu queria..
Então eu me perdi.
Arrependimento talvez, ou até um pouco de medo. Eu não era mais a mesma, eu não enxergava outra coisa além daquilo, eu não queria enxergar mais nada.
Me lembro da última coisa que vi. Eu não consegui encontrar uma palavra para descrever o que era, mas eu lembro que era algo inofensivo, soava até falso, mas talvez parecesse falso porque era inofensivo, eu não estava acostumada com coisas inofensivas, principalmente vindo de dentro deles.
No final, eu fechei os meus olhos, não para não enxergar mais, mas para guardar dentro dos meus as coisas que eu enxerguei dentro dos seus.
close your eyes.
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