As luzes eram fracas. Apenas o forte brilho vermelho emancipado das paredes clareavam as formas que se escondiam no escuro. Enquanto eu caminhava para a sala de projeto, localizado bem ao meio do corredor, deslizando pelo vento que bagunçava meu cabelo e remexia minhas roupas, reconheci o rosto que meus olhos agora encaravam.
Lá estava ela, outra vez, rodeada com suas amigas, que para mim tinham pouca importância. Não demorou muito para retribuir meu olhar, e simplesmente sorrir
Logo, penetrei na pequena roda e cumprimentei-a, e mais uma outra amiga que nós tínhamos
Depois, me voltei para o que interessava, ela.
"Oi", ela disse.
"Olá", respondi, mostrando os dentes. Era mais fácil ser natural agora que já éramos conhecidos. Como tinha previsto, suas amigas voltaram totalmente a atenção para mim, com sorrisos e gestos.
Revirei meus olhos para a sala, com sinal para sairmos dali. Ela obedientemente entendeu e já ia se retirando de perto do grupo.
"Então, tudo bem com você?", perguntei, enquanto andávamos. Eu olhava constantemente para seu rosto.
"Sim, e quanto a você?", ela respondeu, olhando para mim, com a atenção voltada para a porta, que eu abrirá para ela passar.
"O mesmo", respondi, a voz desaparecendo com o soprar do vento nas paredes da sala. Estava frio, suficiente para eu sentir o tremor do corpo dela, como se fosse no meu próprio corpo.
Um mar de detalhes para qualquer artista. Uma melodia nova para qualquer músico. Uma inquietação complexa para qualquer escritor. Uma imensidão de paixões ocultas, mas necessárias. Esse era o sentimento que eu estava sentindo em cada expressão de meu rosto, em cada olhar sofrido que eu era capaz de compor. Ela trazia à tona tudo que havia de mais amável em mim, tudo que eu gostaria de expor diariamente, mas que era impossível com um coração quebrado.
As lembranças de outrora, não me machucavam mais. Minha atenção estava direcionada à ela, e apenas ela.
"Não posso ficar com você", ela disse simplesmente. "Eu mal o conheço"
"E você precisa realmente me conhecer mais ?" eu rebati. "Você já sabe o que precisa saber."
"Você está errado." ela disse friamente enquanto sua expressão mudava "Fico me perguntando quantas palavras e tempo tivemos juntos?"
"Pare", eu disse, quase como uma humilhação, "...foram milhares de momentos"
Erguendo meu rosto enquanto falava, meus olhos brilhavam com lágrimas. Eu não estava chorando, mas a agonia era gritante em meu rosto.
"As caminhadas que fizemos sob o sol enquanto saiamos da faculdade. A noite no bar que passamos juntos. O jeito que você rabiscava meu guardanapo com a caneta do garçom..." eu dizia sem prestar atenção nas palavras. Ela se tornava mais sensível enquanto eu continuava, mais agoniada, como eu.
"O formato do seu pescoço no meu ombro. O perfume do seu cabelo despejado nos traços do meu rosto..."
Ela mordeu o lábio inferior, minhas palavras pareciam um livro aberto para ela.
"Foram milhares de momentos..." eu continuei " São como uma moeda de mil caras. Só depende de que lado você vê."
Ela largou o fichário e livro que levava em mãos, e soltou a bolça pelo braço.
Minha mente não conseguia pensar racionalmente naquele instante, tudo se misturava, como diferentes flores num jardim de Monet.
Ela se aproximou, mais e mais, os olhos castanhos me encarando. Era um castanho claro que eu jamais vira antes. À luz do Sol, eles clareavam, tornando-se quase dourados, contrastando com o loiro dos cabelos. Qualquer homem poderia facilmente se prender à eles, desligando-se dos afazeres e problemas que a vida trazia, pois a própria vida escondia neles o seu lado mais doce.
Juntei-a ao meu peito e coloquei meus lábios levemente nos dela. O beijo parecia apenas um prelúdio para o amor.
Segurei seus quadris com uma das mãos, enquanto pressionava a outra, que estava em volta de seu pescoço, para mais perto. Suas mãos percorriam meu pescoço, vinham pelas minhas costas fazendo desenhos e remexiam meus cabelos. Seus lábios pequenos moviam suavemente em minha boca, sua lingua cutucando delicadamente a minha, enquanto chupava-a. Sua respiração tornou-se cada vez mais ofegante, como a minha. Pude sentir seus batimentos acelerando. Ela me queria, assim como eu a queria. O desejo estava explicito nos seus beijos, no seu carinho.
Repousei minha testa em seu queixo, e delicadamente beijava seu pescoço de baixo pra cima, ela gemia. Um gemido delicado, enquanto eu saboreava o cheiro de seu corpo quente, tão perto do meu, tão vulnerável. Essa palavra me fez segura-la mais forte, mais perto. Seus seios batiam no meu peitoral.
Levantei cegamente a cabeça e me voltei para sua boca; sua língua contornava meus lábios e seus braços agora me envolviam. Beije-os com desespero, mas nunca excedendo a força. Peguei seu rosto com as mãos e toquei seus lábios mais uma vez, me afastando. Ela me encarou com um sorriso, os olhos taciturnos, abaixados. Sorri pra ela, meu hálito fresco soprando em seu rosto. Encostei-a na parede nos beijamos mais, perdendo a noção do tempo, que parecia não existir.
Meu coração pulsava em descompasso, agredido. Abracei-a, apoiando sua cabeça em meu ombro, olhando por cima para o relógio. Já se passara uma hora e meia desde que entramos ali.
"Odeio quando você me desarma desse jeito" ela disse sem graça, abaixando o rosto enquanto falava. Era divertido vê-la sem graça quando estava comigo. "Acho que você é medrosa..." eu comecei. Ela levantou o rosto me encarando, erguendo uma das sobrancelhas. "...em todos os sentidos."
"Medo?" ela repetiu, ainda me olhando. Sua voz era calma.
"Acho que você tem medo de gostar de mim. Você tem medo de se relacionar comigo ou com qualquer um, por experiências anteriores que não deram certo, se é que você realmente teve, ou estou errado?"
Ela baixou o rosto novamente, estava sem graça. Eu pensei ter dito algo errado, mas eu saberia se tivesse feito isso de fato; eu reconheceria sua reação.
"Você não sabe o quanto eu gosto de você..." ela sussurrou, eu ainda estava encostado com ela na parede. "...eu gosto muito de você, disso eu tenho certeza. Eu só não quero me apegar a você enquanto você me esquece com o passar do tempo."
Minha expressão ficou rígida. Como ela podia pensar desse jeito? Como ela podia me adorar, gostar de mim, e não querer se aproximar mais, por pensar que eu não estava sendo, no fundo, sincero.
"Eu sei o que eu quero, Carol" eu sussurrei, a voz doce, do jeito que ela mais gostava. "Quero ficar só com você."
Seu rosto corou. Peguei seu rosto com a mão, apoiei dois dedos no seu queixo e ergui-o até ela encontrar meus olhos, o olhar extremamente tímido.
"Você é o meu único amor.", as palavras saiam do meu coração. "Você é a garota que povoa meus sonhos desde e a infância, e agradeço por a conhecer. Se não, pediria em uma oração para Deus que refizesse o mundo, para ter uma chance de vê-la uma vez mais."
"Você têm que acreditar". Minha voz era doce, calma e muito baixa. Foi o suficiente para arrancar lágrimas de seus olhos. Ela jamais iria admitir que estava chorando. Ela me olhou, os olhos tremendo, encarando os meus. Suas mãos arrastaram meu rosto para mais perto e ela me beijou.
Seu beijo era mais agradável do que nunca, como um pôr-do-Sol em pequenas camadas, um aroma de rosas que a primavera trazia, um sopro frio e ocioso do inverno, as notas mais sutis de um piano, os primeiros pingos de uma tempestade. "Gosto de você", eu disse, entre gemidos e sussurros. Ela me abraçou muito forte, e repousou a cabeça em meu peito.
"É melhor sairmos daqui." Ela pediu. "Não posso me atrasar para a terceira aula".
Era verdade. Sua preocupação trouxe a tona meus outros deveres. "Tem razão. Acho que posso sobreviver sem você algumas horas"
Ela riu. "Ai, socorro.. homem meloso bem na minha frente". Dessa vez eu também ri, deixando-a passar primeiro pela porta.
"Suas amigas já estão impacientes com você". Eu sorria para ser simpático.
"Elas detestam quando eu sou seqüestrada" ela disse, ainda rindo.
"Bem, acho que elas vão ter que se acostumar à seqüestros daqui pra frente". Ela assentiu, me encarando.
Nossos caminhos eram em direções opostas, então me limitei a beija-la na boca mais uma vez antes de nos despedirmos temporariamente.
Breve, porém intenso e longo - menos do que eu gostaria - soltei-a e deixei-a ir para sua aula.
aih, esse menino jambo todo in love e criativo. deols. oehioehiohioehio
ResponderExcluirnão quero nem saber o que você fez com esse dedo o__õ