quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Mais do que os olhos podem ver

Eu passo despercebida. Ninguém me enxerga, ninguém consegue me ver, ninguém quer me ver.
Sou como um vidro, transparente. Quando alguém olha, esse alguém só vê o outro lado da paisagem. Nada em mim.
Encontrar alguém que me enxergue é como pedir para um daltônico ver as cores. Ele não vai conseguir. Ninguém consegue..
É agonizante pensar que ninguém vai te enxergar e se te enxergarem, não vai ser do jeito que você sempre sonhou. Parece que nada será como já foi um dia e que um dia tudo será do jeito que eu não quero que seja.
É horrível tentar enxergar alguém além do que ele pode nos mostrar. É ruim conseguir enxergar e no final, não ver nada.
Ninguém tem nada.
É tudo tão vazio.
Você espera tanto de alguém que você nem ao menos conhece e sente medo. Medo de conhecer a pessoa de verdade e chegar a própria conclusão de que não valeu a pena.
Tentar enxergar um monte de pedaços de carne que se movimentam. Tentar enxergar por dentro das veias por onde passa o sangue que dá vida, que faz com que os pedaços se movimentem.
Ninguém enxerga desse jeito.
Ninguém me enxerga desse jeito.

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